Festa da Sagrada Família

Categoria (Artigos) por Pastoral Comunicação em 12/26/2010

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Ainda estamos respirando o Natal do Senhor e ressoa em nossos ouvidos, o Hino de “glória a Deus nas alturas e de Paz na terra aos homens de boa-vontade”. Um hino de gratidão, de ação de graças! Ecoam também, no mais fundo da nossa alma, os cânticos inspirados, dos pobres pastores da Judéia, que regressam do Presépio, “glorificando e louvado a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado”! E o que encontram em Belém, o que ali viram, e que se tornou fonte de inspiração para o louvor e para a gratidão, foi simplesmente “uma família”, numa sagrada sinfonia de amor, entoada ali, num registro simples de silêncio e comoção.

Os pastores encontraram “Maria e José e o Menino deitado na manjedoura”. Este quadro da Família de Nazaré encanta os Pastores e leva-os a cantar de todo o coração a Deus a sua gratidão!

Doze anos mais tarde, Maria e José procuram o filho que julgavam  perdido, e ali mesmo, no templo de Jerusalém, O encontram ocupado com as coisas do Pai. Ali se recompõe e se alarga o quadro da família Nazaré, com o Menino Jesus a crescer, submisso, no amor ao Pai que está nos céus, e em obediência filial, à autoridade parental de Maria e José! E Jesus cresce, com eles, em todas as dimensões do desenvolvimento da pessoa humana: “em sabedoria, em estatura e em graça”. Maria, por sua vez, “guarda todas as coisas no coração”.

Nesta Festa da Sagrada Família devemos ressaltar duas virtudes, deveres de casa, para a edificação de uma autêntica família cristã: a gratidão e a gratuidade!

Comecemos pela gratuidade, uma vez que as relações, entre os membros da comunidade familiar, devem ser sempre inspiradas e guiadas precisamente por esta lei da gratuidade, o mesmo é dizer, por esta capacidade generosa de cada um ser e estar para os outros, ao seu serviço, por graça e de graça. Isso significa também que cada pessoa, na família, há de sentir que vale por si, conta pelo que é, em si mesma, e na relação com os outros. A família deve oferecer um ambiente que respeite e favoreça, em todos e em cada um, “a dignidade pessoal, como único título de valor” .De modo que os pais honrem os filhos, amando-os simplesmente por que existem e por aquilo que são. Assim, “a família, mais do que qualquer outra realidade social, tornar-se-á o ambiente onde a pessoa pode existir por si mesma, mediante o dom sincero de si. (Carta às Famílias, 11)! Isso torna-se evidente, no acolhimento cordial, no encontro e no diálogo, na disponibilidade desinteressada, no serviço generoso, e na solidariedade profunda, que se há de viver entre as pessoas da mesma família.

Enquanto comunidade de amor, a família encontra no dom de si a lei que a guia e a faz crescer. O dom de si inspira o amor mútuo entre o casal e deve pôr-se como modelo e norma nas relações entre irmãos e entre as diversas gerações que convivem na família. “Numa sociedade desagregada por interesses egoístas, os filhos devem enriquecer-se, (…) no sentido do verdadeiro amor, como solicitude sincera e serviço desinteressado para com os outros, em particular dos mais pobres e necessitados” (cf.FC 37). Não se poderá pedir, aos de fora, à sociedade, à Igreja, ao Estado, que cuide bem e gratuitamente dos nossos, (filhos, irmãos, pais e avós), se nós próprios não desenvolvemos, a partir do seio familiar, relações desinteressadas de serviço e entre ajuda! Não deixemos, de modo algum, que a família seja contaminada pela lógica do interesse, do lucro, do proveito!

É desta lei da gratuidade, vivida, em família, desde os inícios da vida, que se pode cumprir-se o dever da gratidão, sobretudo, quando os filhos conquistam a sua autonomia e os pais chegam aos “arrabaldes da velhice”! Honra pai e mãe institui, com vigor e rigor, o quarto mandamento. De fato, “o respeito pelos pais é feito de reconhecimento àqueles que, pelo dom da vida, pelo seu amor e pelo seu trabalho, puseram os filhos no mundo e lhes permitiram crescer em estatura, sabedoria e graça” (CIC 2215). Nunca saldaremos esta dívida, precisamente porque a vida, o amor e a fé que recebemos dos pais, e por meio deles, é graça e de graça. Por isso, “Filho, honra o teu pai e a tua mãe. Depois de Deus, são eles os teus primeiros benfeitores, são aqueles que participam, de modo singular, da bondade divina. Por isso: “honra pai e mãe” (cf. CF, 15)! Não os desonres com tua insolência adolescente, ou com a arrogância juvenil do teu desprezo, pelo seu antigo saber e pelos seus valores tradicionais!

Não os desonres  com o abandono, a indiferença e o esquecimento. Olha que a gratidão é a memória do coração! E onde não há gratidão, o amor não respira!

Que a Sagrada Família de Nazaré nos ajude a fazer, com gosto e alegria, estes “deveres de casa”, para edificarmos assim a nossa família como “verdadeira escola de gratuidade e casa de gratidão”! CASA E ESCOLA DA COMUNHÃO!

Alexandre Mendes

Equipe litúrgica da Capela São Benedito

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